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Bolsas chinesas despencando ainda mais

Dan Ashmore, CFA

A SEC identificou na semana passada cinco American Depositary Receipts (ADRs) de empresas chinesas que não cumprem o Holding Foreign Companies Accountable Act. ADRs são ações de empresas não americanas negociadas nos EUA.

Implicações

Isso tem causado medo de que as empresas sejam deslistadas, pois a lei permite que a SEC proíba a negociação, ou desmarque empresas, se três anos consecutivos de auditorias não forem satisfatórios para os reguladores. As empresas em questão são Yum China, BeiGene, ZaiLab, ACM Research e HUTCHMED. Embora essa seja a extensão da lista, uma liquidação foi desencadeada na maioria das ações chinesas, pois os investidores temiam mais ações. As cinco empresas em questão estavam na lista apenas porque haviam apresentado recentemente seus relatórios anuais à SEC e não há razão para acreditar que a lista não crescerá uma vez que outras empresas chinesas lutam para cumprir os requisitos de auditoria.

Outros fatores de risco

Essa está longe de ser a única preocupação que os investidores têm em torno da China, no entanto. Com a Rússia buscando ajuda militar na China, há preocupação com as ações que Pequim pode tomar daqui para frente. O conselheiro de segurança nacional dos EUA, Jake Sullivan, chegou a dizer à CNN que os EUA acreditavam que a China estava ciente que Putin estava “planejando algo”, embora tenha admitido que Pequim “pode não ter entendido toda a extensão disso”.

Com os investidores cientes do caos nos mercados russos que a invasão e as sanções subsequentes causaram, o medo se espalhou pelas ações chinesas. Isso é reforçado pelos EUA, destacando que “haverá absolutamente consequências para os esforços de evasão de sanções em larga escala ou apoio à Rússia para preenchê-las”. Ainda outro fator jogado na mistura são os crescentes casos de COVID, com um novo bloqueio anunciado em Shenzhen – uma cidade de 23 milhões de pessoas. Atrasos na produção são esperados como resultado, com a cidade abrigando a sede de várias empresas de tecnologia. Nos EUA, as ações da Apple caíram 2,5%, já que o bloqueio deve afetar os fornecedores.

Ursos no banco do motorista

Com o clima macro em todo o mundo já competindo com a inflação em espiral enquanto se prepara para aumentos de juros nesta semana, mesmo além da invasão russa, os investidores têm hesitado. No momento, os compradores estão evaporando para as ações chinesas, devido aos riscos adicionais que o investimento no país representa, preferindo diminuir a exposição e não arcar com o peso de outras possíveis baixas.

No momento da redação deste artigo, a gigante do comércio eletrônico Alibaba está sendo negociada a US$ 80,50, uma queda de quase 20% em relação à quinta-feira, uma perda de valor de US$ 435 bilhões, destacando a extensão dos movimentos. Com o Fed previsto para subir esta semana e o rendimento do Tesouro de dez anos agora acima de 2%, os ursos estão prontos para começar a semana.